Os pássaros foram os primeiros a nascer. Os poetas, a exemplo das manhãs, cantam para a vida. Tudo os excita: a própria morte, o dia a dia ou a desdita. Têm a força e a beleza de irromper sobre o amanhã. Trazem estrelas oceanos maremotos e florestas. Sentem a vida e sobrevivem nas palavras que carregam. Caminham pela rua como qualquer um.
Escrito por leopoeta às 21h06
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Desenganados, sangrando, mal-amados e violentos, a andar pelas ruas, espalhados, os meninos veem a ira de seus pais cegos, bem armados, pervertidos, na tarefa inglória deste inferno, que constroem com esmero, sobre a dor que fingem não sentir.
Escrito por leopoeta às 11h42
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SUBCUTÂNEA Os poetas têm palavras sob a pele da linguagem e se movem sobre a terra que imaginam construir Corajosos e vorazes se aventuram na linguagem sob a capa desvairada da estrada que percorrem para não morrer
Escrito por leopoeta às 10h23
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escrever de volta numa folha digital uma palavra, outra palavra, pontuando o verso como se não fosse, dando adeus à inocência, à língua ferina, sem recato, direta, uma palavra, outra palavra e eu de volta à poesia
Escrito por leopoeta às 17h24
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O anjo negro, além da cor belíssima do ébano, carrega o castiçal em chamas da vingança, a ilusão do amor nascido à fórceps, como se o mundo pudesse retornar e ser o sonho que já terminou.
Escrito por leopoeta às 11h28
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Trata-se o poema de um objeto como outro qualquer. Panela, prato, garfo, copo, colher. Tudo tem serventia, incluindo o poema. E nem precisa imaginar pra quê.
Escrito por leopoeta às 23h52
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Thereza Christina A paixão da página sobre a mesa, na estante, pendurada sobre a mente, na memória, é o que move a minha amiga com sua roupa de papel, de cartolina, sua sopa de letrinhas, sua poética de lava, (eternamente fogo nas palavras, vida nas palavras, sopro nas palavras) enquanto um de nós, apenas um, qualquer que seja, puder lançar seus olhos, maravilhados, sobre o papel impresso, ao acaso, sobre a mesa, fascinado, após pegar o livro, alisá-lo, tendo sentido seu cheiro e sentindo-se, ele mesmo, dono, cúmplice, artífice e, porque não, o próprio Deus entre vocábulos: poeta.
Escrito por leopoeta às 01h42
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As palavras estão sempre perto. Concretas como de costume. Impiedosas como o verbo original. Entre a palavra e o objeto. Por entre o vento e a montanha. O tempo se guarda na lembrança. O oceano é uma idéia. A expressão, o que se diz. As palavras têm a cor da tua boca. Têm sabor, perfume, cor. A poesia invade a vida e a ilumina. Traz à tona aquilo que nomeia. Aproxima meu nome de quem me ouve.
Escrito por leopoeta às 08h47
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Calvário Dias de tormenta Dias sem dormir Dias indo embora Pelo ralo, pau-a-pique Dias de hospital Sentindo dor, sobrevivendo Soçobrando, indo a pique Dias que não passam Que se arrastam Como larvas Como um coma Num buraco Sem ter fim
Escrito por leopoeta às 23h59
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De boca em boca, as palavras vêm e vão. A seiva da linguagem, a pétala da vida. A influência da palavra sobre as coisas que nomeia. O dicionário e o vernáculo. O poeta e seu desejo. As palavras vão e vêm pela boca de quem fala. Poesia é a palavra, sua força, seu idioma. A multiplicação dos pães, meu sussurro em seu ouvido.
Escrito por leopoeta às 22h43
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A beleza é direção em minha vida. Todos os dias, eu vejo o mundo pela primeira vez. A alegria insaciável dos descobridores. O olhar surpreendente da criança. O beijo da saudade e a carícia do desejo. Voltar à tona e respirar o ar da vida. Nadar no mar como quem bebe o mar. A calmaria, o salto em falso. O que germina e alimenta.
Escrito por leopoeta às 19h54
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O sol não se levanta sempre no mesmo lugar. Todas as manhãs, a luz ressurge para a vida. Novos horizontes nos aguardam. De onde menos se espera, ergue-se o presente. Como a beleza, a arte está aonde não se vê. O amor navega pelo tempo e não nos damos conta. A música, a lembrança e as emoções são uma coisa só. A poesia é o instrumento que nos faz tocar a vida.
Escrito por leopoeta às 07h33
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Mudando a Pessoa um filho é um pedaço seu que se torna outro e se faz outro até morrer em mim.
Escrito por leopoeta às 22h03
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Podemos desfrutar o amor sobre os lençóis lavados, os corpos suados, o delicioso cheiro da paixão, as lembranças táteis, olfativas, a saudade inebriante, eu e você, pequenos paraísos, pela casa, na cozinha, no chuveiro, e onde ninguém pode supor, já estivemos.
Escrito por leopoeta às 17h47
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A aurora se anuncia muito antes do habitual. Espero calmamente o amanhecer dos seres. Os habitantes da escuridão já se foram. Anuncia-se outro dia para a morte que virá.
Escrito por leopoeta às 23h05
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