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intransferível tigre


O sol não se levanta sempre no mesmo lugar.

Todas as manhãs, a luz ressurge para a vida.

Novos horizontes nos aguardam.

De onde menos se espera, ergue-se o presente.

Como a beleza, a arte está aonde não se vê.

O amor navega pelo tempo e não nos damos conta.

A música, a lembrança e as emoções são uma coisa só.

A poesia é o instrumento que nos faz tocar a vida.



Escrito por leopoeta às 07h33
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Mudando a Pessoa

 

um filho é um pedaço seu

que se torna outro

e se faz outro

até morrer

em mim.



Escrito por leopoeta às 22h03
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Podemos desfrutar o amor sobre os lençóis lavados,

os corpos suados, o delicioso cheiro da paixão,

as lembranças táteis, olfativas,

a saudade inebriante, eu e você, pequenos paraísos,

pela casa, na cozinha, no chuveiro,

e onde ninguém pode supor, já estivemos.



Escrito por leopoeta às 17h47
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A aurora se anuncia muito antes do habitual.

Espero calmamente o amanhecer dos seres.

Os habitantes da escuridão já se foram.

Anuncia-se outro dia para a morte que virá.



Escrito por leopoeta às 23h05
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Meus horizontes são exóticos.

Paro, mas nada deixa de existir.

Tudo piora, apodrece, vai embora.

 

Meus horizontes intercalam-se, incessantes.

Assim é o poeta e sua lida.

Assim me fiz para poder me transformar.

 

Conheci o mundo observando ao meu redor.

Imagino o mais distante como aquilo que não sou.

Sobrevivi à fome no deserto das idéias.

 

Borbotões de sentimentos e sobrevivi.

Meu horizonte eu reconstruo a todo instante.

As frutas, colho-as para que não apodreçam.



Escrito por leopoeta às 23h54
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Aproveitando os alísios da transformação,

parto da península da penúria em busca de outra viração.

Trago comigo o que mais amo:

a poesia esparramada sobre  a vida,

o sabor de uma infinidade de canções,

a imagem de Cecília sobre o vale da derrota,

e o encanto suburbano que um dia conheci.

A foto nossa com Thereza:

Shakespeare, Shakespeare, Shakespeare.

Mil palavras sobre a mesa e a conversa entre nós três.

Faltou apenas o João e seu museu de tudo.

Aproveitando os alísios da transformação,

parto da península da penúria em busca de outra viração.



Escrito por leopoeta às 19h35
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Grandes poetas exigem grandes temas.

Para mim, o pequenino desmantelo,

a falta de carinho, o rés do chão.

Para grandes aventuras, é preciso não ter medo.

Para grandes poetas, uma vida imensa.

A mim, restou esta novela mal escrita,

de fogo morto, baixo calão.

Para muitos, existe o palavrão,

o xingamento, a labareda e o braseiro da paixão.

Para mim, sobraram apenas estes poemas,

que cofio, como pelos, entre os dedos que,

um dia, retiveste em tuas mãos.



Escrito por leopoeta às 19h34
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No centro, está o medo.
A esperança verte pelas bordas.
Caio e fico submerso.
Cato meus pedaços.
Sou eu que carrego meu passado.
Sou quem engole e não vomita.
Caminho entre palavras.
Assisto à lua subir entre as montanhas.
Escuto tiros na favela.
Rente aos prédios, voam os helicópteros.
Vivo no Rio desde o dia em que nasci.



Escrito por leopoeta às 21h12
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A poesia fecha suas portas,
enquanto o poeta lança suas chamas.
Minha mão desenha estrelas e meus olhos veem.
Cada poeta é uma língua e o universo é inventado.
O infinito é onde ele mora.
Eu e ela estávamos ali, sem dizer palavra.



Escrito por leopoeta às 01h20
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Os sonhos que transbordam vão bater ao meio-dia.

O meio-fio da existência é o bueiro dos delírios.

A poesia é a palavra encantamento.

Iniciei meu funeral no mesmo dia em que nasci.

Muito antes de morrer eu já havia ido embora.

Sinto que em breve choverá.

Pesadas nuvens cobrem o céu azul aos cariocas de plantão.

 



Escrito por leopoeta às 11h14
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entre o poeta e a beleza
não há palavras



Escrito por leopoeta às 23h39
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Nada sei sobre o amor.
Não sei sentir, não sei ouvir, não sei buscar.
Sua presença não me toca.
É nota fora de circulação.
Moeda antiga, tostão, vintém.
Mercadinho de quinquilharias.
Vazio de exercícios solitários.
Aspereza, sofreguidão.
Mas o que é a vida, se não há ninguém?



Escrito por leopoeta às 23h39
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Sinto ter perdido alguns amores,
a coragem, o corpo,
a beleza dos gestos
e os estudos que não prossegui.
Mas, no fim das contas,
devo ter vivido, exatamente,
o que cabia a mim.



Escrito por leopoeta às 19h06
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O resto daquilo em que me transformei

existe apenas para te levar à queda.

Se pudesse, seria eu teu próprio inferno.

Me transformaria num demônio,

queimaria tua alma e beberia teu sobejo.

Sopraria as cinzas sobre a mágoa que deixaste.

Daria de bom grado o meu destino ao ódio e ao vilipêndio.

E arderia para sempre em meu inferno secular.



Escrito por leopoeta às 23h03
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tarde vazia

manhã sem graça

tempo ruim

 

eu e ela

estamos bem

 

sol escaldante

vento fresco

beira-mar

 

dentro de mim



Escrito por leopoeta às 21h44
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